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17 de maio de 2013

Abrigos de ônibus terão vidro com ‘sombra’ em SP após reclamações

abrigopordosol

niciada em fevereiro deste ano, a instalação dos novos abrigos de ônibus pelas ruas de São Paulo já gerou reclamações de usuários. De acordo com a concessionária Otima, responsável pela substituição do mobiliário urbano na cidade e manutenção das peças pelos próximos 25 anos, a cobertura com vidro foi o principal motivo da insatisfação nos primeiros meses de uso dos novos pontos de ônibus.
As reclamações também foram recebidas pela SP Obras, empresa da Prefeitura de São Paulo, que solicitou alterações à concessionária.
“A aparência é muito melhor, mas é só. Não protege do sol, da chuva. E é só ter um jogo no Palestra que a gente vai ver quanto tempo dura esse vidro”, avalia o pintor Rafael Peixoto, 25 anos, sobre os abrigos instalados na Avenida Sumaré.

A empregada doméstica Evanilda Justino, de 52 anos, tem uma opinião ainda mais ácida. Ela mora em Jundiaí e trabalha na Zona Oeste da cidade. Utiliza o transporte público todos os dias para se locomover. “Acho bonito, mas deveriam por dinheiro em outra coisa, e não nisso aí. É jogar dinheiro fora”, diz.
As críticas, principalmente sobre o aspecto da proteção do vidro, são confirmadas – e rebatidas – por Violeta Noya, presidente da Otima. “No começo tínhamos pessoas ligando elogiando muito o uso de esculturas, a beleza, e tivemos algumas críticas pontuais ao vidro. Algumas pessoas não entenderam o vidro, mas a crítica vem do desconhecimento. As principais cidades do mundo estão trocando as coberturas por vidro, mas como começamos a instalar em fevereiro, que é um mês de muito calor, as pessoas associavam o vidro ao calor. O que nós fizemos foi aumentar a serigrafia. Alguns dos abrigos passaram a ter também uma sensação de sombra”, afirma. A mudança começou a ser feita no início deste mês, e contemplará os modelos “Caos Estruturado” e “Caos Invertido”.

Usuários tem depredação de abrigo na Avenida Sumaré em dias de jogos na Arena Palestra, que segue em obras (Foto: Lívia Machado/G1)

A primeira onda de reclamações surgiu depois de testes “exaustivos”, segundo Violeta, mas a presidente garante que o vidro tem proteção contra raios solares e reduz a sensação térmica exterior em até 5ºC.
Violeta afirma que o vidro de cobertura tem espessura de 12 milímetros, película escurecedora e vedação adicional que promete proteger da chuva. Em caso de impacto, o vidro tem ainda uma película que não deixa o vidro estilhaçar.
A biomédica Débora Carmo, 35 anos, utiliza o abrigo instalado no final da Avenida Doutor Arnaldo, na Zona Oeste de São Paulo, todas as terças e quintas-feiras no fim da tarde. Ela avalia positivamente a mudança, mas também lista rapidamente as falhas. “A chuva cai mesmo, não protege, e o banco reduziu a capacidade, cabia pelo menos o dobro de pessoas sentadas, além de estar muito afastado. É difícil enxergar os ônibus que estão vindo. Esteticamente ficou legal.”

Leandro Ribeiro, 35 anos, maquiador, no abrigo da Avenida Doutor Arnaldo, Zona Oeste da cidade (Foto: Lívia Machado/G1)

Leandro Ribeiro, 35 anos, maquiador, endossa a análise de Débora. “Eu achei difícil de usar. Quando chove acaba molhando a gente, teria que ter uma cobertura melhor. Esse tampão de vidro não protege. Achei o banco pequeno, cabe metade do número de pessoas que antigamente cabia. Nunca tivemos um ponto de ônibus decente na cidade. São Paulo é uma cidade que chove direto, precisamos de uma cobertura que escoe a água e nos proteja. É bonito, mas nada funcional.”
Mais de 9 milhões de pessoas utilizam o transporte público em São Paulo. As principais preocupações dos usuários, ainda no período do projeto dos novos abrigos, segundo a Otima, diziam respeito à cobertura e às informações sobre itinerários, que deverão estar disponíveis nos painéis. Até esta quinta-feira (9), 208 novos abrigos já tinham sido instalados. As informações sobre itinerários ainda não são disponibilizadas nos novos abrigos.

Tipos de abrigos

Ao todo são quatro modelos adotados na capital, todos com grande parte da estrutura com vidro: minimalista – instalado principalmente no Centro histórico para a preservação da arquitetura local; hi-tech – para centros financeiros como a Avenida Paulista; Caos-estruturado – em áreas mais amplas, feito com aço e vidro; e brutalista – o mais comum na cidade, com design inspirado em esculturas. Há também o chamado abrigo invertido, para calçadas estreitas em que há necessidade de área para a garantia de acessibilidade. Os modelos foram desenvolvidos pelo designer Guto Índio da Costa.

Abrigos criados para calçadas de até 1,90m (Foto: Divulgação)

Os abrigos chamados invertidos foram criados, segundo a Otima, para calçadas de até 1,90m. Eles devem ser instalados a partir de julho. “Com a nova lei da acessibilidade, é obrigatório deixar nas calçadas uma área de 1,20m para a passagem de cadeirantes. Quando os antigos abrigos foram colocados, essa lei não existia. Hoje, quando fôssemos substituí-los, os abrigos não poderiam ser colocados em algumas calçadas e precisaríamos usar postes, mas a população iria ficar extremamente insatisfeita”, diz Violeta. Os modelos invertido e reduzido foram desenvolvidos para respeitar as irregularidades das calçadas de São Paulo.

“Os novos equipamentos privilegiam o mesmo aspecto da Cidade Limpa, que é justamente não vedar a cidade. Eles dão transparência ao que continua sendo a cidade e usam materiais de larga utilização na indústria da construção civil no mundo todo, com vidro tratado, de segurança,” explica Sérgio Krichanã, da SP Obras.

Concessão

O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e a concessionária Otima foi assinado em dezembro de 2012. Serão substituídos 6,5 mil abrigos de ônibus pela cidade – no prazo de três anos – além da instalação de outros 1 mil abrigos. Também serão trocados 12,5 mil totens, e novos 2,2 mil serão instalados. A volta da publicidade no mobiliário urbano foi aprovada pela lei da concessão do mobiliário urbano, de outubro de 2011.

Depois da Lei Cidade Limpa, de setembro de 2006, e dos quase sete anos sem publicidade nas ruas, São Paulo volta a receber campanhas nos novos abrigos de ônibus. O primeiro anunciante a ocupar o novo espaço foi a Ambev, com a marca Brahma e, segundo a Otima, já há fila de novos anunciantes para o uso do espaço. Os abrigos terão painéis de duas faces de 2 metros quadrados cada.

A Otima é a empresa responsável pela instalação e manutenção dos abrigos de ônibus e totens indicativos de parada por um período de 25 anos. A empresa foi criada em 2012, depois da licitação do mobiliário urbano, e é uma sociedade entre a Odebrecht, a Rádio e Televisão Bandeirantes, a APMR Investimentos e Participações e a Kalítera Engenharia.

Além da responsabilidade sobre a instalação e a manutenção do mobiliário urbano, a Otima deve pagar à Prefeitura valores referentes à chamada outorga onerosa. De acordo com a SP Obras, já foram pagos, em março deste ano, R$ 35 milhões referentes à outorga adicional e R$ 5,6 milhões de antecipação da outorga mínima. Além disso, a Otima terá que pagar 288 parcelas mensais de R$ 458 mil cada.

“A economia está principalmente no que você vai deixar de gastar em manutenção. Em uma previsão muito conservadora, a prefeitura vai deixar de gastar no mínimo R$ 300 milhões, nos 25 anos, período da concessão, só na manutenção desse mobiliário”, diz Krichanã. A SP Obras é o órgão responsável pela fiscalização do cumprimento dos itens que constam no contrato de concessão. Até o término do contrato, o investimento previsto pela Otima é de mais de R$ 636 milhões.

Lei Cidade Limpa
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A Lei nº 14.223, conhecida como Lei Cidade Limpa, foi criada em São Paulo, em 2006, com o intuito de combater a poluição visual para facilitar a exposição das características das ruas, avenidas, fachadas e elementos construídos da capital. Pela regra, ficou totalmente proibida a colocação de peças de propaganda em ruas, parques, praças, postes, torres, viadutos, túneis, laterais de prédios sem janelas e topos de edifícios.

A mudança de maior impacto foi a proibição de anúncios publicitários nos lotes urbanos como muros, coberturas e laterais de edifícios, além de publicidade em carros, ônibus, motos, bicicletas etc. Outra alteração foi a padronização e redução dos anúncios indicativos em imóveis.

A lei determinava a retirada de toda a publicidade externa até 31 de dezembro de 2006, mas já contava com a possibilidade de anúncios em mobiliário urbano, como abrigos de ônibus e táxi, lixeiras, caixas de correio, relógios de rua, bancas de jornais e revistas, protetores de árvores e cabines de segurança e informação. A concessão com exploração publicitária, no entanto, só foi definida por lei em outubro de 2011.

“A nossa remuneração é a publicidade”, diz Violeta, da Otima. A presidente explica que o contrato não prevê restrições a propagandas, apenas o respeito às normas do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

Fonte: G1

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