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11 de setembro de 2014

Arte forjada no fogo e no vidro em Curitiba

Negócio de família começou como vidraçaria de bairro, mas com o tempo se transformou praticamente em um atelier.
 
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Luci atualmente é reponsável por quase tudo que é produzido na empresa: vendas para o Brasil todo (foto: Franklin de Freitas)

 

Em Curitiba uma artista “tardia” conseguiu o reconhecimento de seu trabalho. Luci Lamar Perly Regis, da Arte Ilimitada — loja localizada na região central da capital — é uma espécie de “talento da maturidade”. Luci descobriu, após a aposentadoria, que tinha talento para trabalhar com uma arte excêntrica, quase desconhecida, transformar vidros em verdadeiras obras de arte.
 
“Quando meu marido começou o negócio, era apenas uma vidraçaria”, relembra a artista vidreira. Junto com o marido, Carlos Alberto Pilloto Regis, teve que mostrar também um dom para o empreendedorismo.
 
Com a aposentadoria, a mulher pôde ficar mais próxima do negócio da família e vislumbrou a oportunidade de fazer algo diferente. Luci foi para Sâo Paulo, onde fez cursos e trabalhou com mestres vidreiros para aprender o ofício. Logo a vidraçaria começou a produzir troféus e placas de homenagem. Hoje, todas as obras produzidas na Arte Ilimitada passam exclusivamente pelas cuidadosas mãos dela, que trabalha de acordo com a demanda do cliente.
 
A própria família, inclusive, afirma que o estabelecimento já não se trata de uma vidraçaria, mas sim de um negócio de soluções artísticas em vidros, ramo em que a empresa com mais de 50 anos atua pelo menos nos últimos dez.
 
A transição de vidraçaria para uma loja de soluções artísticas, porém, foi uma necessidade. “As coisas foram tomando outro rumo em função da péssima qualidade da mão de obra (na época da vidraçaria). Tivemos muitos problemas com funcionários que faltavam, não se esforçavam, além da dificuldade cada vez maior de se encontrar vidraceiros”, conta Luci.
 
“Vidraçarias vendem vidros no bairro. Então, por conta das dificuldades para encontrar mão de obra e por conta das mudanças no mundo — hoje tudo é muito dinâmico —, resolvemos mudar um pouco nosso negócio. Nós ainda trabalhamos com o vidro, mas artesanal, e em vez de vender apenas no bairro, fazemos negócio com todo o Brasil pela internet, o que nos facilita bastante. Temos visitação até da China”, explica Carlos Alberto.
 
E o trabalho para criar as peças é muito quente. A empresa conta hoje com três fornos para iniciar a transformação do vidro em arte. Até mesmo garrafas de vinho são aproveitadas. O material fica até 30 horas em um forno que chega a quase 900°C. Aos poucos, a peça incandescente ganha o formato do molde. Depois, é preciso esperar o vidro esfriar, o que pode levar até um dia. Finalmente, a peça é limpada e Luci tira alguma possível aspereza do material.
 
“As vezes é uma tristeza. Você tira do forno, deixa esfriar e não fica como o esperado, aí tem de fazer outra peça. Em outras vezes, é uma boa surpresa e o material fica melhor do que o esperado”, conta Luci. “Sempre estou fazendo experimentações, misturando vidros. Reciclamos tudo o que é possível. O vidro dá para a gente aproveitar tudo, até os cacos”, finaliza a artista.
 
Fonte: Revista Vidro Impresso

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