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22 de dezembro de 2014

Brincadeira de montar

Artista mistura corantes a adesivo UV para criar efeitos especiais em obras esculpidas com placas de vidro empilhadas
 
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“O vidro é um material incomparável, que oferece uma relação rica e dinâmica com a luz”
 
Placas de vidro plano e cola UV. Com essas duas matérias primas em mãos, o artista vidreiro Sidney Hutter desvendou uma nova forma de criar belas e exóticas esculturas. Semelhantes a um brinquedo de montar, as obras de Hutter são construídas a partir de um encaixe e empilhamento de placas de vidro de cores variadas, posicionadas de modo a formar infinitas formas e combinações. “O resultado sempre se aproxima de vasos ou peças que sugerem recipientes, mas em geral expande-se para a criação de formatos muito diversos”, diz o artista.
 
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Com uma admirável formação acadêmica em artes plásticas, iniciada na Universidade de Illinois e seguida pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), em Boston, Hutter especializou-se a tal ponto nas artes vidreiras que logo se tornou professor na Universidade de Boston e consultor em variadas corporações. Pouco tempo depois, o artista desvendaria sua própria linguagem, que o levou a criar seu estúdio próprio, o Sidney Hutter Glass & Light, fundado em 1987. “Desde cedo, meu interesse por arte, design, arquitetura e, sobretudo, pelo diálogo entre essas plataformas foi o fio condutor do meu trabalho”, conta Hutter. “Além disso, minha experiência com vidro soprado foi fundamental para sedimentar as bases do que se tornaria meu trabalho criativo.”
 
A criatividade marca não apenas as obras de Hutter, mas passa também por todo o instrumental com que ele constrói suas esculturas. Ao longo dos anos, Hutter aprendeu ele mesmo a desenvolver as técnicas, ferramentas, máquinas e materiais especificamente projetados para esculpir suas peças. “Uso basicamente técnicas a frio, incluindo o corte e a montagem, ou empilhamento, das placas laminadas de vidro, para compor as formas volumétricas das esculturas”, revela o arista, que há tempo se dedica ao estudo dos avanços tecnológicos das formulações que compõem os pigmentos, corantes e adesivos ultravioleta usados no trabalho manual com o vidro. A incorporação dessas tecnologias à sua arte tem resultado em peças com um surpreendente espectro de cores.
 
Pigmentos Mágicos
 
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Como é comum entre os escultores, a arte de Hutter sempre começa no papel. Cada obra é primeiro projetada por meio de um desenho técnico e detalhado, que estabelece a forma genérica da peça, além dos ângulos, cortes e dimensões de cada pedaço de vidro. Em seguida, o artista usa técnicas tradicionais de corte para transformar as folhas em pedaços de 10 X 15 cm, até que se tornem os filetes e quadrados de vidro a serem trabalhados. Esses então são cortados em barras ou círculos minuciosamente medidos.
 
“As bordas de cada peça são lixadas, polidas e limpas, para então serem laminadas por um sistema altamente refinado, que emprega adesivo UV misturado a corantes e pigmentos com efeito especial”, conta o artista, que então escolhe as cores e padrões de cada peça. “Quando vistas sob diferentes ângulos, as cores das peças se misturam e se separam conforme o grau de incidência luminosa, para criar uma espécie de pintura tridimensional e mutante. Os efeitos visuais produzidos por esses pigmentos alteram-se drasticamente conforme a luz incide, fazendo com que o vidro se torne às vezes opaco e às vezes transparente.”
 
As esculturas de Huttter têm como foco trabalhar tanto a parte externa como as formas internas dos vasos que, segundo ele, constituem a essência de suas esculturas. “O volume é definido do lado de fora, enquanto, do lado de dentro, retrata um cenário de cores e luzes, enfatizando a interação entre esses dois elementos”, descreve o artesão. Por meio da combinação de superfícies ásperas e polidas e corantes adesivos, surge uma espécie de pintura tridimensional. “Cada peça é trabalhada a mão e meticulosamente esculpida, de forma a reforçar intersecções únicas de cor, forma e luz”, ressalta Hutter. “Como um profissional das artes visuais, produzo as peças sempre andando em volta de cada uma delas, para investigar como reage à luz e ao movimento e ao ambiente a seu redor.”
 
Os processos de produção empreendidos por Hutter envolvem sofisticadas técnicas de corte, lapidação, polimento, perfuração e laminação das folhas de vidro. Com uma ampla variedade de escala dimensional, as obras do artista vão de pequenas esculturas de mesa a peças de piso e parede, além de séries funcionais como móveis e luminárias. “Minhas obras são um reflexo da minha trajetória de vida, em transformação contínua e sempre em desenvolvimento.” O trabalho de Hutter está exposto em inúmeras galerias de arte em vidro públicas e privadas dos Estados Unidos.
 
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Fonte: Revista Vidro Impresso

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