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31 de julho de 2014

Casa de férias flutuante e aconchegante

Feita de madeira e vidro, casa de férias projetada por holandeses paira sobre as águas.
 
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Em composição com a madeira, as fachadas transparentes criam um efeito visual de túnel, enfatizando a disposição longa e estreita da ilha.

 

Com rara sensibilidade para captar a essência de seu entorno, a arquitetura residencial holandesa revela excepcional habilidade de potencializar os benefícios de reflexão e transparência do vidro. A par desse atributo, a nova safra de arquitetos de um país predominantemente marcado por áreas alagadas tem se especializado na modernização dos tradicionais House Boats, híbridos de casa e barco instalados sobre os canais, que se tornam sonho de consumo de boa parte dos turistas que visitam as cidades holandesas.
 
Exemplar recente dessa tendência, a Island House foi concebida com o intuito de unir duas das mais marcantes especialidades arquitetônicas do país, dando origem a uma pequena cabana flutuante feita basicamente de madeira e vidro. Obra dos arquitetos do 2by4 Archictects, com sede em Roterdã, o pequeno e engenhoso projeto resulta em uma construção simples, moderna e perfeitamente integrada ao cenário ao redor, uma pequena ilha de 5 x100 m situada em um dos lagos de Loosdrecht, vilarejo no norte da Holanda. “Tanto por sua linguagem estética como pelos recursos empregados, o projeto faz uso de linhas sutis para incorporar o contexto natural da ilha e sutilmente se misturar com ela, ser uma extensão de sua margem”, descreve Remko Remijnse, arquiteto que chefia a equipe do 2by4.
 
O vidro foi o material escolhido para fechar as faces frontal e traseira da casa. Já os fechamentos laterais e da cobertura são formados por um sistema composto por módulos pré-fabricados de madeira. “Em composição com a madeira, as fachadas transparentes criam um efeito visual de túnel, enfatizando a disposição longa e estreita da ilha”, diz o arquiteto. Segundo ele, a primeira conversa com os proprietários já definiu claramente os rumos da concepção arquitetônica. “Eles requisitaram prioridade máxima em customizar a interação com a natureza, exigência que passou a nortear cada detalhe do projeto”, lembra Remijnse.
Simples, compacta e versátil, a casa de férias conta com soluções inteligentes para se adaptar às bruscas mudanças de temperatura sofridas pela região ao longo do ano, responsáveis por congelar completamente os lagos durante boa parte do inverno. O dinamismo promovido pela mobilidade dos sistemas pré-fabricado transforma a casa em uma espécie de brinquedo de montar. “Projetamos fachadas móveis, capazes de se deslocarem e se moldarem a variadas necessidades de uso dos ambientes”, ressalta o arquiteto.
 
Para tirar proveito máximo de sua localização, a casa é transparente e termicamente isolada, mas uma de suas fachadas envidraçadas foi projetada de modo a se abrir inteiramente para o lago, recurso usado predominantemente no verão.
“A abertura permite que o deck de madeira que atua como terraço se transforme em uma extensão do interior da casa”, explica. Se o objetivo for eliminar ainda mais as barreiras entre os ambientes internos e externos, o revestimento de madeira que forra as superfícies laterais pode ser dobrado e aberto, promovendo uma panorâmica vista da paisagem.
 
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Uma das fachadas envidraçadas foi projetada de modo a se abrir inteiramente para o lago, recurso usado predominantemente no verão.
 
“A face dobrada converte-se em elemento perpendicular abstrato que flutua acima da superfície da água”, descreve Remijnse. “Abrindo essa parte da fachada, o piso de madeira do living passa a se conectar à água, permitindo que os moradores acessem o lago diretamente da sala de estar.”
Embora restritos, os espaços internos abrigam todas as funções e pré-requisitos de uma casa confortável. Ducha, banheiro, cozinha, armários, despensa e outras dependências estão todas integradas em um mesmo espaço, fechado por uma parede dupla e angular, que também pode ser adaptada a funções e necessidades específicas. “Esta divisória é móvel e pode ser posicionada de modo a mudar a configuração espacial interna, resultando em ambientes com diferentes características”, comenta o autor do projeto. Dependurada no teto, a lareira é outro elemento que contribui para o caráter mutante do projeto, pois pode ser rotacionada em direção à varanda e usada para criar um ambiente aconchegante em noites mais frias.
 
O vidro também exerce papel chave em conjunto com a orientação da casa, projetada de modo a acompanhar o nascer e o por do sol, garantindo ambientes internos inundados por luz. “No final da tarde, luzes de cores quentes fluem a partir da fachada oeste, anunciando o fim do dia”, diz Remijnse. Esta orientação também foi pensada de modo a favorecer a vista e a sensação de quem visita a casa, desde a entrada, do lado da ilha, até sua outra extremidade, à beira do lago. “Ao ser avistada da terra, a casa parece estar flutuando sobre a ilha. Logo que chega na ilha, o visitante é guiado em direção ao terraço, situado no lado oposto e que continua até o interior da casa. Ali, o chão muda sua tonalidade e torna-se uma plataforma, de onde o visitante pode admirar toda a beleza natural de onde ele veio ao olhar para trás.”
 
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Compacta e versátil, a casa conta com soluções para se adaptar às bruscas mudanças de temperatura típicas da região.
 
A fachada usa um sistema de vidro laminado estrutural fornecido pela Saint-Gobain Glass. As portas de vidro são instaladas em esquadrias de aço e fixadas em rolamentos formados por pequenas esferas, similares às rodas usadas em skates ou patins. “Esse tipo de rolamento possibilita a utilização de portas de correr grandes e pesadas, que se deslocam com muita facilidade e nas quais o sistema de deslize pode ser minimamente detalhado em razão do tamanho dos rolamentos”, informa Remijnse. “Trata-se de um detalhe não-convencional e customizado, que temos usado com sucesso em muitos de nossos projetos”, conta o arquiteto. Já as portas de correr foram fornecidas pela Henderson Sliding Door.
 
Fonte: Revista Vidro Impresso

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