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10 de junho de 2011

Escolha o tipo correto de vidro para o seu próximo projeto

Como poucos produtos, o vidro concilia o apelo estético à funcionalidade. Apesar da aplicação em grande escala, boa parte das vezes a especificação do produto ainda prioriza os critérios cor e preço, deixando aspectos técnicos em segundo plano.

Isso demonstra a carência de informações no mercado, afirma a arquiteta Elisabeth Abduch, gerente de marketing e negócios de uma indústria de vidros norte-americana.

Segundo a arquiteta, o suporte técnico do próprio fabricante ou de um consultor é o caminho mais simples para evitar surpresas desagradáveis depois que a obra estiver concluída. Para Elisabeth, o ponto de partida para a especificação está no levantamento das necessidades de cada projeto em relação aos níveis desejados de conforto térmico, acústico e visual.

Também é preciso dispor de dados como a modulação das fachadas, o tipo de instalação que será adotado e até mesmo a cor pretendida para o vidro, pois esse é um detalhe que interfere diretamente no desempenho, ela complementa.
“Tudo isso deve ser visto antes da instalação dos caixilhos, porque depois não tem como consertar”, avisa a arquiteta. Ramon Perez, consultor técnico de uma empresa nacional de vidros de segurança, concorda. “A especificação correta leva em conta muitas variáveis. Se a escolha não é feita com critérios técnicos, o desempenho fica comprometido e querer corrigir erros depois que o vidro já foi instalado fica muito caro”, ele afirma.

Mas, para Elisabeth, não basta especificar o tipo adequado de vidro. “É preciso que o profissional acompanhe as demais etapas do processo, pois é comum haver alterações que nem chegam ao seu conhecimento se ele estiver ausente”, ela diz.
Um recurso possível é fazer constar do contrato a obrigatoriedade de consulta ao autor do projeto toda vez que um item especificado for substituído por outro.

“A vantagem é que as responsabilidades de cada um ficam bastante claras e o arquiteto tem a oportunidade de procurar alternativas similares ao produto originalmente especificado”, avalia Elisabeth. A evolução cultural também deve fazer com que, dentro de algum tempo, torne-se habitual incluir o item vidros como argumento de vendas no memorial descritivo do empreendimento, comercial ou residencial.
Produtos inteligentes
A fachada tem a função básica de proteger contra as intempéries e seu desempenho deve considerar o conforto termoacústico, o uso racional de energia elétrica e a proteção contra o impacto de objetos trazidos pelo vento.

“Tudo isso sem perder a transparência”, defende a arquiteta Marinha Mascheroni, do escritório norte-americano SOM-Skidmore, Owings & Merrill, responsável pela concepção do projeto do recém-inaugurado edifício-sede do BankBoston, em São Paulo.

Para a torre de 140 m de altura foram especificados 18 tipos diferentes de vidro, que correspondem às necessidades de segurança e isolamento termoacústico. “Foram usados vidros à prova de balas, insulados e os do tipo low-E, de baixa emissão”, ela exemplifica.

O edifício é um raro exemplo, no Brasil, das múltiplas combinações possíveis para obter os resultados esperados (leia o quadro Tipos de vidro e suas indicações). O conforto térmico, com uso racional do sistema de condicionamento de ar, é definido basicamente pela aplicação do vidro insulado com 25 mm de espessura total, com face externa em low-E de 6 mm, câmara de ar com 13 mm e vidro float transparente também com 6 mm, detalha Marinha.

Essas características dão inteligência às fachadas e são conseqüência da evolução tecnológica que coloca novos tipos de vidros e acessórios no mercado. “Só agora o Brasil está começando a especificar vidros especiais para arquitetura, por isso muita coisa que parece nova por aqui já está em uso há anos lá fora”, diz Elisabeth.

É o caso do vidro laminado com resina líquida no lugar do polivinil butiral (PVB). “Poucos conhecem, mas o laminado com resina é uma boa opção quando se precisa de mais isolamento acústico ou de mais segurança, como em guaritas”, ela exemplifica.

Outra novidade, destaca Perez, são as películas na forma de filmes extrafinos com desenhos em diferentes cores e formatos inseridas na laminação, e não na superfície. Elas diferenciam e dão identidade ao projeto, mas também agregam valor porque o desenho pode barrar determinadas radiações e melhorar o coeficiente de sombreamento e o controle da luminosidade.

“Podem ser usadas em vidros refletivos ou não-refletivos e servem tanto para fachadas quanto para divisórias”, ele afirma.
A exemplo do PVB, a película decorativa também confere ao vidro mais resistência e melhor desempenho acústico.

O mercado dispõe de películas para aplicação na superfície do vidro com diferentes finalidades, como controlar o ofuscamento nas áreas internas ou reduzir a transmissão de luz. Segundo Perez, seu uso requer conhecimento, pois, conforme o tipo de vidro e de película, o desempenho pode ser favorecido ou prejudicado.

“Convém consultar o fabricante do vidro antes de aplicar esse tipo de produto”, alerta. Entre as películas, é possível encontrar variedades que emprestam características do laminado aos temperados comuns.

“Existe uma película de segurança aplicada externamente que retém os cacos no caso de quebra.” Outro produto recém-lançado são as películas duplo-refletivas, que eliminam o efeito espelhado que as superfícies envidraçadas apresentam à noite, favorecendo a visibilidade de vitrines, por exemplo.

Esse mesmo tipo de película pode ser aplicado para assegurar a vista para o exterior em edifícios que usam vidros refletivos comuns, conhecidos por impedir a visão noturna de dentro para fora.

Entre outros produtos disponíveis nos EUA e na Europa, mas ainda pouco acessíveis à realidade brasileira, estão vidros autolimpantes e com proteção anti-risco. Há películas especiais de ângulo seletivo para controle solar e versões resistentes a balas, fogo e explosões.

“Desde 11 de setembro essa película é de uso obrigatório nos edifícios governamentais norte-americanos”, detalha Marinha. Por fim, as películas de alta tecnologia incorporam células fotovoltaicas que captam a radiação solar e a transformam em energia elétrica, para consumo do edifício.

Fonte: Arco Web

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