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20 de setembro de 2013

Integração transparente

Vidros curvos promovem interação única entre os espaços em pavilhão especialmente dedicado à arte vidreira.

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Por mais de 15 anos os arquitetos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa têm trabalhado juntos no que chamam de parceria colaborativa. À frente do estúdio SANAA, conduzem uma arquitetura simultaneamente delicada e forte, precisa e fluida. Ganhadores do Prêmio Pritzker 2010, eles produziram grandes e engenhosos projetos, entre os quais o Glass Pavilion do Toledo Museum of Art, localizado em Ohio, nos EUA, situa-se entre os mais emblemáticos
Assim como muitos dos edifícios de Sejima e Nishizawa, o pavilhão envidraçado que abriga um espaço anexo de exposições especialmente dedicado à coleção e à produção de arte em vidro do museu é ilusoriamente simples. A dupla de arquitetos soube explorar como poucos a propriedade fenomenal do espaço contínuo, da luz, da transparência e da materialidade para criar uma síntese sutil. Concebido como um volume único, é penetrado por uma série de compartimentos estabelecidos por paredes envidraçadas, como linhas transparentes que permitem a visualização de todo o espaço através das camadas de vidro curvo. “Desse modo o visitante está sempre envolvido e rodeado pela vegetação circundante, e, mesmo dentro do pavilhão, sente-se como se estivesse andando entre as árvores”, comentam os arquitetos do SANAA.
Individualmente, os ambientes enclausurados pelos vidros curvos transparentes resultam em compartimentos integrados, que atuam como zonas acusticamente isoladas, separando sutilmente os espaços e criando diferentes climas de acordo com a função de cada um. “O vidro envolve os espaços, ao mesmo tempo em que forma contínuas elevações, ininterruptas por meio dos cantos arredondados, simultaneamente isolando e aproximando os compartimentos”, descrevem os arquitetos. O formato das paredes orienta a visita em diferentes direções, promovendo experiências únicas ao longo da sequência de espaços. “O visitante flui junto comas formas, através das séries de bolhas interconectadas”, complementa a diretora de operações do Toledo Museum of Art, Carol Bintz.

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Curvatura sob medida

A quantidade e complexidade dos vidros empregados exigiram cuidado especial na escolha dos fornecedores. Os aproximadamente 130 mil m² do material foram fabricados em uma planta de float na Áustria e, antes de serem transportados a Toledo, foram curvados e laminados na China, pela SanXin Glass Technology. A maioria das peças assume uma curvatura única, de modo que exigiu precisas especificações de fabricação. As estruturas de sustentação são formadas por finas e esparsas colunas de aço e as placas de aço instaladas nas laterais garantem leveza e aumentam a sensação de claridade. “As esquadrias estruturais de aço diferenciam-se pela sua extensão, de 3,5 mil m², e pela altura do edifício, de 4,5 m”, comenta Carol. “Há muito pouca estrutura visível, dando a sensação de que a construção está flutuando sobre o chão.”
Sob projeto e consultoria da nova-iorquina Front, a instalação das paredes de vidro dispensou o uso de colunas verticais de sustentação. Os painéis são unidos apenas por selante de silicone entre as chapas. “Ou seja, não há interferência visual ao longo das paredes de vidro, que formam extensões contínuas. Nenhuma delas forma ângulos retos”, observa a diretora.
Vidros laminados e temperados foram usados em todas as aplicações internas e externas. A escolha recaiu sobre o Optiwhite, vidro com baixo teor de ferro da Pilkington. As paredes internas são constituídas por laminados com duas folhas de 9 mm de espessura cada. Já os vidros aplicados externamente são formados por chapas laminadas de 12 mm cada, intercaladas com PVB Saflex e com dimensão de 2,4 X 3,9 m. Não houve necessidade de vidros insulados nas paredes externas, uma vez que as extensas zonas de cavidades atuam como um vidro insulado gigante, capaz de isolar o calor e a radiação e garantir uma baixa velocidade de circulação do ar no interior, prevenindo condensação no vidro em períodos de mudanças de estação.

Equipamentos especiais foram fabricados de forma customizada para a instalação dos painéis envidraçados do Glass Pavilion, devido tanto ao tamanho como à curvatura das chapas. “O edifício teve de ser construído de dentro para fora. As paredes externas foram instaladas por último, para que as painéis de vidro fossem devidamente dispostos e encaixados nos canais”, explica a diretora. O serviço ficou a cargo da Toledo Glass e da Mirror of Toledo. Imprensadas entre esses canais situados no piso e no teto, e fixadas e amortecidas com gaxetas de borracha, as peças podem se mover junto com o desenho do edifício. “Essa solução previne pontos de tensão no vidro, que podem levar à quebra das chapas”, diz Carol. “Como os vidros não são estruturais, podem ser sutilmente movidos, de forma a se adaptarem às diferentes temporadas do museu.”

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Segundo ela, foram várias as razões que fizeram do vidro o principal material empregado no projeto. “O vidro está no cerne do conceito que norteia o projeto, que é o de criar a ilusão de se estar fora quando se está dentro”, aponta a diretora. “Os vidros curvos transparentes, sem cantos e sem esquadrias aparentes, fazem com que as paredes praticamente desapareçam. Quando está do lado de fora, o visitante tem sua atenção atraída para as atividades que acontecem dentro do edifício, como as exposições e oficinas de vidro soprado.” Outro aspecto que ressalta o papel do vidro no projeto é fato de representar o material que é tema central do Glass Pavillion e sua importância na história do museu e da própria cidade de Toledo.

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Enclausurados pelos vidros curvos, os ambientes resultam em compartimentos integrados, que atuam como zonas acusticamente isoladas.

Fonte: Vidro Impresso

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