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10 de março de 2014

Reflexo sem Distorções

Fabricantes apostam em lançamentos e novas linhas de produção de espelhos para aumentar a variedade, o desempenho e as possibilidades de aplicação do produto.

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Mesa de centro com espelho da PKO do Brasil, que pode ser comum, cinza ou bronze, cortado em qualquer formato, desde que esteja na espessura e dimensão adequadas.

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Um mundo de oportunidades. O universo da transformação dos vidros tem presença cada vez mais evidente em todos os segmentos do mercado decorativo, arquitetônico e construtivo. Especialmente quando o vidro é aliado a outro material tão belo e nobre como ele: a prata. A combinação desses dois elementos só poderia resultar em um dos produtos mais utilizados no cotidiano das pessoas: os espelhos. O aquecimento do mercado leva a investimentos constantes no lançamento de novas linhas, englobando a produção de espelhos planos, de segurança, côncavos, convexos, bisotados, laminados e coloridos, voltados para diversas indústrias, como moveleiras, automobilísticas, de construção civil, arquitetura e design.

A origem dos espelhos remonta ao sexto milênio antes de Cristo, quando foram descobertas peças de cobre polidas próximas ao Rio Nilo, no Egito, elaboradas pelo homem primitivo. No século 17, artesãos venezianos, na Itália, faziam algo mais parecido com o que conhecemos, com uma fina camada refletora feita com amálgama de mercúrio e estanho sobre uma lâmina de vidro, cujo brilho garantia o status de joias da realeza. Foi em 1835 que o químico e inventor alemão Justus von Liebig descobriu o processo de formação de camadas metálicas e aprimorou o trabalho aplicando prata derretida.

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O que faz o vidro se tornar espelho?

• Prata
• Resina
• Camadas de tinta, para proteger contra choques e alterações químicas.
• Camada passivadora, para evitar a corrosão da prata.
• Camada sensibilizadora, que aumenta a aderência da prata.

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Etapas de produção

Hoje são usados dois processos para a fabricação de espelhos: galvânico (sistema convencional com camadas metálicas de prata e cobre juntamente com uma tinta protetora) e copper-free (camadas metálicas de prata, agentes passivadores de ligamento e tinta protetora), este último mais recente e utilizado pelos grandes fabricantes brasileiros. A seguir, o gerente de marketing da Cebrace, Carlos Henrique Mattar, descreve o passo a passo do processo copper-free:
1. Polimento e limpeza com óxido de cério da superfície do vidro;
2. Momento de sensibilização com a aplicação de dois produtos solubilizados: estanho e paládio, que fixarão a prata sobre a superfície do vidro plano. O paládio oferece uma fixação adicional, que diferencia o processo copper-free do galvânico. A fixação adicional melhora a aderência da prata ao vidro para receber a pintura de proteção;
3. O vidro é metalizado com a aplicação de nitrato de prata de forma solubilizada, que, depois de reduzida, gera o filme de prata metálica sobre a superfície;

4. A prata aplicada é passivada por um produto químico. Nesse processo, é feita a proteção da prata e a substituição do cobre – nos espelhos galvânicos, ele é responsável por proteger a prata.

5. Após a passivação, protege-se a prata com duas camadas de tinta protetora de cores diferentes.

6. Como complemento da pintura é aplicado um filme de resina que ajuda a aumentar a resistência mecânica da superfície pintada. Essa camada é curada por UV.
7. Por último, o espelho passa por um polimento final.

“A cadeia produtiva de espelhos é iniciada pelas empresas responsáveis pela extração de mine-rais destinados à indústria, que produz chapas de espelhos em tamanhos e espessuras padronizados, com alta tecnologia e escolha minuciosa da matéria-prima”, explica o gerente de produtos, decoração e design da Guardian,
Juan Abreu. “Terminado o processo de fabricação, a etapa seguinte envolve as empresas de processamento, responsáveis pelo corte, curvação, lapidação e serigrafi a para destinar o produto aos demais setores até chegar ao consumidor final.”

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Tendências no mercado

“No Brasil, os espelhos sustentáveis possuem tecnologias mais avançadas, por não agredirem o meio ambiente ao evitarem o uso de resíduos tóxicos”, destaca Mattar. “É um mercado promissor e com grande potencial”, ratifica Abreu, comentando que a Guardian alcançou nos últimos anos crescimento de 10% a 15% no segmento. “Atribuímos o cenário positivo à maior exigência do consumidor por produtos que ofereçam qualidade comprovada. E também ao perfil dos latino-americanos, que fa-zem uso do espelho com mais frequência do que os europeus”, acrescenta.

Atualmente, as chapas do Espelho Guardian® são ecológicas e fabricadas em Porto Real (RJ) nas cores prata e bronze, disponíveis em espessuras de 2 a 6 mm, nas medidas 2,20 X 3,21 m e 2,40 X 3,21 m. Uma grande novidade do setor é o investimento de 14 milhões de dólares da empresa na construção da maior e mais moderna fábrica de espelhos jumbo do mundo, que ficará em Tatuí (SP) e será entregue no primeiro trimestre de 2014, com capacidade prevista de 8 milhões de m²/ano, o que representa 7 mil toneladas/mês de chapas com até 6 x 3,21 m.

Já os produtos da Cebrace são fabricados em Caçapava (SP), em duas linhas de produção, variando de 2 a 6 mm, resistentes à oxidação, em chapas de diversos tamanhos, até o inédito jumbo, recém-inaugurado e primeiro da América Latina. Até o final do ano, o espelho belga Glaverbel, comercializado pela AGC e produzido na Bélgica, será fabricado pela empresa em Guaratinguetá (SP), com características internacionais: eco-amigável, isento de cobre e com parcela não signifi cativa de chumbo resistência à corrosão e a manchas ao longo do tempo.

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Inovações do setor

“Dentro da nova condição de poder aquisitivo da população, o Brasil está vivenciando um aumento no comércio de produtos com maior valor agregado e, como o espelho contribui para a valorização dos ambientes, tem uso crescente em projetos personalizados”, destaca o responsável pela Speed Temper, Marcelo Martins. Na New Temper, a inovação é a máquina de incisão que reproduz desenhos gráficos, imagens ou texto. Os equipamentos são automatizados, aumentando a precisão na produção das peças e agregando qualidade aos projetos.

Em matéria de acabamento, a especialidade da Pacaembu Vidros para espelhos é o bisotê, serviço que agrega muito valor às peças, segundo a gerente de marketing Silvia Romano. “O bisotê transforma um espelho comum em elemento decorativo”, ressalta. “Para processar um espelho, o beneficiador necessita de boas mesas de cortes, pessoal muito bem treinado, máquinas e lavadoras que não utilizam nem óleo e nem fluidos refrigerantes acéticos ou químicos pesados”, esclarece o diretor geral da Conlumi,Claudio Passi.

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Como fazer a manutenção?

Os problemas mais comuns com espelho são oxidação, manchas e riscos causados pelo uso indevido de ferramentas ou esponjas abrasivas, umidade ou maresia. Para limpar a superfície, o correto é usar um espanador para retirar a poeira antes de passar um pano macio com água morna ou álcool. Não borrifar líquidos diretamente no espelho e secar bem. Adiante, a especificadora técnica da PKO do Brasil, Rebeca Andrade, enumera alguns cuidados necessários com os espelhos:

• Folga mínima de 3 mm entre o espelho e o substrato para ventilação e circulação de ar.
• Quando mais de um espelho é fi xado na mesma superfície, deixar folga entre as bordas de um e de outro espelho. Um separador de 1 mm pode ser utilizado para este propósito.
• Os materiais usados na montagem não devem ser agressivos ao espelho.
• A superfície onde o espelho é instalado deve estar limpa, seca, livre de umidade, de substâncias ácidas, alcalinas e de outros materiais agressivos. Quando
for necessário, a superfície deve ser preparada para o uso de adesivos.
• Os adesivos não devem ser agressivos ao espelho.
• iluminação quente tipo spot, quando focada diretamente ao espelho, pode ocasionar defeitos na prata ou trincas.
• São suscetíveis à oxidação espelhos aplicados em saunas, banheiros ou ambientes que tenham um alto índice de umidade ou atmosfera corrosiva.

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Normas em vigor

Para assegurar a perfeição dos espelhos, fabricantes, beneficiadores e instaladores devem atender requisitos mínimos estipulados pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), como a NBR 15198:2005 e a NBR 14696:2008. “Desde 1998, quando foi fundado o Comitê Brasileiro de Vidros Planos (ABNT/CB-37), sediado na Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos, o setor vidreiro tem importantes referências técnicas para utilizar o vidro com segurança, além de poder explorar o produto em todas as potencialidades”, explica o gerente-técnico da Abravidro, Silvio de Carvalho.

Atualmente, de acordo com o especialista, são 35 normas vidreiras vigentes – oito delas em revisão – e três novos projetos em andamento. “As empresas mostram a seriedade com que trabalham e intensificam a confiabilidade de seus produtos junto aos clientes”, completa. Ao cumprir as exigências, o setor garante segurança na aplicação, bem como a qualidade e a durabilidade dos espelhos

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Fonte: Vidro Impresso

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