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16 de outubro de 2014

Vidro em alto-mar

Setor vidreiro lucra com o aumento de consumo de embarcações de luxo.

 

Os principais vidros usados nas embarcações são temperados planos, curvos cilíndricos (fácil execução), curvos não-cilíndricos (maior complexidade) e vidros laminados

vidro e cia blog 2O mercado náutico brasileiro apresentou as maiores taxas de crescimento em todo o mundo nos últimos sete anos, com destaque especial para o aumento do consumo das embarcações de alto luxo. Esse ciclo de expansão alavancou não só a demanda por embarcações, mas também por estruturas e serviços de apoio náutico, com reflexos em todo o Brasil, inclusive no setor vidreiro.
A VidroForte, empresa localizada no Rio Grande do Sul, atua neste segmento desde 2000, quando começou a oferecer vidros temperados de pouca complexidade para embarcações. Durante esse período no mercado, uma das dificuldades enfrentadas foi a transição da produção de vidros temperados para vidros laminados de grandes dimensões e algumas curvaturas de maior complexidade, o que aconteceu em 2010.

 

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Atualmente a empresa produz cerca de 800 peças mensais de vidros para embarcações, que seguem a norma NBR 5932:1989 – Vidro para Janela, Vigia e Olho-de-Boi para a construção naval. “As principais exigências referem-se às questões de qualidade visual e a confiabilidade dos vidros temperados”, explica Rafaela Jahn, analista de qualidade da VidroForte.
Os principais vidros usados nas embarcações são temperados planos, curvos cilíndricos (fácil execução), curvos não-cilíndricos (maior complexidade) e vidros laminados planos e curvos. Além disso, a VidroForte ainda comercializa vidros multilaminados e vidros insulados (vidro duplo) para algumas embarcações. Já as espessuras podem variar de 4 a 8 mm, dependendo da aplicação do vidro na embarcação.
Apesar do expressivo mercado náutico brasileiro, Rafaela Jahn acredita que o setor ainda é carente de empresas que realmente conhecem o vidro e possam sugerir melhorias nos projetos. “É um setor em pleno desenvolvimento e necessita de fornecedores que conheçam seu produto e possuam condições técnicas de desenvolver produtos com diferenciais”, afirma a analista de qualidade.
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O mercado náutico brasileiro está crescendo com rapidez e os tamanhos das embarcações estão se diversificando, o que possibilita o acesso a outras classes sociais. Além disso, a procura por embarcações maiores, de grande luxo, vem aumentando consideravelmente no país, conforme explica Davide Breviglieri, CEO da Azimut: “Os clientes brasileiros buscam barcos de tamanhos cada vez maiores, tanto os que querem se atualizar e trocar por um iate novo e até mesmo os que adquirem pela primeira vez”.

A Azimut Yachts é uma marca italiana reconhecida mundialmente. No Brasil, a fábrica está localizada na cidade portuária de Itajaí desde 2010. E a estimativa da empresa é que até setembro haja um crescimento de 50% de volume das vendas em relação à temporada anterior, e 80% de aumento em termos de dimensões de barcos a motor de luxo.
Os vidros das embarcações Azimut são importados, alguns são temperados e outros laminados, ambos esféricos. Mas a empresa começou o desenvolvimento de vidros nacionais laminados e curvos, e a partir do segundo semestre estão previstas algumas novidades sobre o fornecimento de vidros.
Atualmente, o processo industrial dos estaleiros movimenta uma cadeia produtiva especializada, composta por empresas que fornecem capotas e toldos, cabeamentos e instalações elétricas, para-brisas, metais, ferragens, cabos e âncoras, bem como serviços de apoio à produção, como assessoria na laminação de compósitos e gerenciamento de resíduos.
Segundo o relatório anual do International Council of Marine Industry Associations (Icomia), publicado em 2011 (dado mais recente disponível no mercado), a indústria náutica movimenta mais de R$ 83,5 bilhões em todo o mundo, com cerca de 4.900 estaleiros, 200 fabricantes de motores, e 700 mil empregados.
 
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Este é um setor altamente especializado, que demanda um alto padrão de qualidade de produto e processo. Por essa razão, as operações dos estaleiros tendem a ser fortemente verticalizadas; e a mão de obra envolvida em todas as etapas do processo altamente especializada. Como consequência, a mão de obra direta representa uma parcela de até 65% do custo final de fabricação dos produtos acabados na grande maioria dos estaleiros.
Apesar da visibilidade e do impacto dos movimentos dos estaleiros especializados em embarcações high-end, o fato mais importante no mercado náutico brasileiro atual é o crescimento da demanda por embarcações com comprimento entre 20 e 26 pés, com valores entre 60 mil e 120 mil.
O crescimento da renda disponível no mercado interno fez com que as vendas de embarcações novas atingissem patamares inéditos nos anos de 2008, 2009 e 2010, quando novos usuários adquiriram suas primeiras embarcações, enquanto os consumidores que já possuíam lanchas e veleiros investiram em embarcações mais sofisticadas e de maior porte.
No mercado brasileiro, quase 84% do total da frota é de embarcações a motor, e 16% é de barcos a vela. Sendo que em toda a indústria náutica observa-se uma forte tendência de expansão de negócios, já que o aumento do número de famílias de classe AB nos próximos anos tende a apoiar esse crescimento. Segundo projeções do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a classe AB deverá crescer 29,3% até 2014, em comparação com 2012.
 
Fonte: Revista Tecnologia & Vidro

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